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Onde está seu potencial real

Por Margarete De Boni

Acreditamos que cada um de nós tenha uma predeterminação na vida. É comum encontrarmos pessoas sobre as quais ouvirmos ou falamos “fulano nunca conseguirá vencer”, “beltrano terá um infarto”, e mais comum ainda é que estas coisas acabam por acontecer. Não que seja uma adivinhação ou premonição, mas porque ao examinarmos mais detidamente as condutas e ações da pessoa em questão vamos verificar que esta procura situações e pessoas que a “auxiliam” a cumprir a determinação e, na maior parte das vezes, em dar conta de que o fez.

Para a Análise Transacional, abordagem de Psicologia criada pelo psiquiatra canadense Dr. Eric Berne, o “destino” é o roteiro ou script que cada um de nós escolhe. É um plano inconsciente de vida. Funciona como se fosse uma peça de teatro ou filme, onde a pessoa assume papeis típicos e vive personagens “no palco de sua vida”. É interessante observar que em novelas, filmes, etc., cada personagem parece ter um destino previsto. Assim também funciona no teatro de vida.

Partindo deste princípio, a Análise Transnacional elucida a ideia mágica de destino. Na medida em que acreditamos “aconteceu porque era destino”, nos isentamos da responsabilidade de estarmos contribuindo para a ocorrência da situação.

E como se forma o script? A criança pequena capta de seus pais o que realmente querem esperam dela, através de sua intuição e da sua lógica limitada, sem os dados objetivos de que necessita, pois ainda não há uma percepção adequada, mas fantasiosa da realidade. Com os dados pouco objetivos de que dispõe, toma uma decisão sobre o tipo de conduta mais “adequada” para contentar papai e mamãe, e assim continuar recebendo a atenção que lhe é vital, pois a criança depende tanto física como emocionalmente dos pais para sua sobrevivência.

Com isso, a criança é forçada a abdicar de seus direitos de nascença (expectativas referentes à proteção e carinho que foram frustradas) e o faz reajustando-se às expectativas que mais se adaptem à situação, trazendo uma “tranquilidade” à sua vida (uma tranquilidade que é só aparente). Esta opção, embasada nos estímulos que recebeu em maior quantidade é que chamamos de Decisão Básica. Com ela, a pessoa decide o que pensar e sentir a respeito de si e dos outros, vindo a eleger papeis dentro de um roteiro o script, que lhe assegure o recebimento daqueles estímulos que no seu pensar infantil são úteis. No seu crescimento vai formando seu roteiro de vida, buscando situações e pessoas que vão contribuir no desenrolar do seu “destino”.

Eric Berne assinala que nascemos “príncipes/princesas” e que com a convivência em nosso meio nos tornamos “sapos tristes”. Ou seja, todos nascemos com potencial positivo e podemos reaver o príncipe ou a princesa que há dentro de nós, conhecendo-nos e tomando decisões e opções baseadas no AQUI e AGORA, em nossas necessidades e convivências presentes, ao invés de conviver com aquelas que tomamos do passado, transportando-as para o presente, onde serão inadequados por ser situação tempo e pessoas diferentes daquela época.

Acreditamos que alguém que “aprendeu” a pensar e sentir coisas de si, que não são verdadeiras, possa reaver o seu potencial real.