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Vamos falar sobre o futuro do trabalho?



Autora: Margarete De Boni


Eu vejo muitas pessoas inseguras com o que vai acontecer. E isso faz com que as pessoas deixem de fazer contato com a presença de perceber dados de realidade. Alguns trabalhos serão muito impactados. Aqueles que têm padrões e rotinas estabelecidas. Porque isso, a inteligência artificial pode dar conta. Trabalhos que dependem de contato relacional e criação, ainda estarão em alta com o ser humano.


Pessoas que atuam naquilo que é de sensibilidade de contato relacional, de cuidado com a pessoa, do incentivo e da criação de um relacionamento e até de um produto, estarão no mercado. Algumas vezes, as pessoas dizem que para determinadas coisas basta um robô. Para perceber a necessidade e dirigir o robô, é necessário um ser humano. E isso reflete bem com o futuro do trabalho.


Vivemos um paradoxo. Ao mesmo tempo que existe uma tremenda tecnologia, automação, inteligência artificial para muitas coisas – o que é fantástico -, temos o contraponto que é mais do que nunca, a necessidade do aspecto humano relacional de sensibilidade. Ao mesmo tempo, a realidade digital é fascinante. É uma coisa incrível, porque isso tudo tem tempos e contratempos. Pois algumas vezes, quando a relação fica apenas digital, a relação perde uma qualidade de calor. E isso faz com que as pessoas vão fiquem distanciadas e a qualidade de calor da relação diminui. A relação é educada, mas não existe o calor da relação. É este calor que mantém as relações.

A pessoa usar o pronome “EU”, é uma forma de estruturar a sua identidade. Sem atribuir a outros, ou ficar diluído sem personalização. Como a gente, os outros e as generalizações. Cada vez mais a individuação, que é a identidade do próprio ser, é como se fosse poeira no ambiente, até não ter mais. Eu projeto alguém, mas dentro de mim fica vazio. Ao mesmo que é interessante e significativo, por outro lado corre-se o risco de sermos dominados ou atraídos 100% para este mundo digital. Mais do que nunca, para continuarmos humanos, precisamos cultivar a nossa humanidade. E a nossa humanidade, envolve sensibilidade.